Estrada

on terça-feira, 17 de novembro de 2009




(foto: Google)


O sol escaldante derretia o olhar que perseguia a estrada infinita.
Tanto chão, tantas esquinas, tantas encruzilhadas. O corpo se recusava a seguir em frente, rendido pelo peso dos sentimentos.
(Mas o que fazer quando se tem pernas e braços, sorrisos e lágrimas para prosseguir?)


Os pensamentos liquefaziam-se e escorriam pela minha face enrubescida. Foi quando percebi que me desanimava a distância que teria a percorrer, imaginando todo meu esforço, toda a luta. E seu eu mudasse o referencial? Afinal as aulas de física, deveriam ter sido de alguma utilidade...




Olhei para meus pés e vi que, a cada passo, eu empurrava a estrada para trás e por isto conseguia seguir em frente! Mesmo a estrada mais longa, ou mesmo todo o planeta imenso eram empurrados pela minha força e determinação e assim eu pude seguir em frente. Pude ver os contornos das montanhas, as flores e folhagens desenhando a primavera e, enquanto a tarde partiu, o anoitecer trouxe consigo o frescor e o alívio do gole de água aos viajantes na fonte de cristalina... Toda a estrada me pareceu possível. Todos os meus passos tiveram valor...


Descobri que as leis do universo podem conspirar a meu favor ou contra, tudo depende do referencial que eu escolher. Assim, não penso mais no navio que parte ao longe e sim no porto que se afasta de mim e de minha visão. Antes que meu pão caia com a manteiga para baixo, seguindo rigorosamente a Lei de Murph, eu me utilizo das leis dos arcos-reflexos e, ainda, se sujar as mãos eu posso voltar a ser criança e lamber os dedos. Simples.
Meu Norte agora depende de minha grande capacidade de reinventar a vida...

© Claudinha


.:: Música deste post: “Sueño Com Serpientes” – Mercedes Sosa e Milton Nascimento::.


Olá amigos! Estou de volta e espero colocar minhas leituras em dia! Que bom poder estar com vocês novamente! Beijos!

12

on terça-feira, 3 de novembro de 2009

(imagem retirada pelo autor)




Minha mãe me ensinou que as meninas são feitas de algodão, um pouco de nuvens brancas (que às vezes podem se tornar negras), docinho-de-leite e pétalas de rosa, cor-de-rosa.



E assim ela chegou, há doze anos. A pele da cor de rosas molhadas pela chuva, cabelos negros e lisos, olhos azuis. Em poucos meses, os cabelos se tornaram ruivos e cacheados e os olhos de um verde-escuro magnífico que encantava quem os visse. Mas não parou aí. Os olhos tornaram-se da cor de avelãs maduras e os cabelos de um castanho dourado com mechas claras.

A princípio, não entendi as suas metamorfoses, mas agora creio ter compreendido. Ela também é borboleta e começa a exibir suas asas em cores alegres e vivas. Seus encantos todos vêm do povo das fadas, de quem descende. A dança, o canto, a meiguice, a inteligência ímpar, são todos dons recebidos e muito bem vindos.


Da menina inquieta, feliz e sorridente, as lembranças em fotografias e filmes gravados também no coração. Da menina-moça desabrochando, o orgulho, a admiração. Da filha, o amor incondicional!


Ela é minha Ana Júlia, minha flor, minha estrelinha, minha princesinha da Lua. Ela completa doze anos de vida, mais metamorfoses e cores em suas asas. E eu, emocionada, agradeço à Deus por ter me permitido ser sua mãe...

Feliz aniversário, meu amor!


© Mamãe Claudinha



.:: Música deste post: “Ana Júlia” – Los Hermanos::.

Caros amigos, estou com problemas para acessar a net. Tão logo tudo se normalize, volto a visitá-los. Um beijo!

La Plata

on domingo, 25 de outubro de 2009






A Estrada vazia no adiantado da hora. Em meus olhos a ansiedade de sempre! Quanto tempo sem vê-los de perto! No céu, canhões de luz guiavam meus sonhos. A mente atropelada pelas tantas esquinas e farpas dos últimos dias sabia, era preciso voar. Vesti-me com as asas mais coloridas e me entreguei ao momento, porque voar é para quem tem alma. E eu tenho, mas a minha anda meio esfarrapada...


Para nos receber um tango/pop moderno ecoava pelos microfones espalhados pelo grande gramado sob o domínio do DJ. Disco anos 70 e coisas do gênero. Que estranho, não era pra ser um show de rock?


E começa! Eu ainda distante fui chegando de mansinho. As meninas histéricas celebravam. Era ele! Marco Túlio apareceu primeiro. Um Deus em meio à fumaça, com aquele porte , cabelos esvoaçantes e ciente do poder que exercia. De sua guitarra, o som que levantou toda “a macacada reunida”. E pouco a pouco, Rogério Flausino e aquele sorriso “minero” que encanta e o jeito brincalhão que conquista, PJ , Paulinho Fonseca, Márcio Buzelin (meudeusdocéu) feras num show extremamente dançante. Claro, também tivemos alguns momentos românticos ao som de Vem andar comigo, Só hoje, Dias Melhores.


Os meninos do Jota Quest acabavam de chegar de Buenos Aires, onde estavam em estúdio aprimorando La Plata, seu novo cd. As fotos podem ser vistas em seu blog.

 
Esqueci dos meus vinte e cinco anos e vinte meses (segundo a Nova Matemática Moderna Que Eu Inventei, N.M.M.Q.E.I.), dancei até a madrugada pedir para ir dormir, a lua desmaiar e acreditem, voei. Sim! Mais alto que o céu. Pude ver claramente quem eu sou e como eu quero continuar sendo.


No final, retribuí. Cheguei o mais perto que pude do palco e Rogério recebeu meu coração, meu carinho e retribuiu (penúltimo slide)! Loucura para mim, trivialidade para eles. Mas viver é isso, tentar encontrar o perfeito equilíbrio entre a razão e a loucura...

© Claudinha


.:: Música deste post: “Vem Andar Comigo” – Jota Quest ::.

Ocaso

on quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tia Alice - Ouro Preto - MG
(Para Tia Alice)


O vento morno da tarde convidou-a a abrir as cortinas de crochê, tecidas há tantos anos por suas mãos hábeis e delicadas. Arrumou, gentilmente, os cabelos brancos e os prendeu com a antiga fivela para coques. Diante da penteadeira, ajeitou o xale, o vestido e olhou-se nos olhos mais uma vez. O vazio das perdas descoloria suas íris outrora verde-claras e traduzia sua dor em tons de cinza, frios como o mármore. Não tinha mais os cabelos louro-acobreados, o sorriso desenhado por entre as maçãs proeminentes de seu rosto. O queixo triangular desaparecera sob as rugas dos noventa anos. Passou as mãos pela face, como se pudesse apagar o tempo, fechou seus olhos e saiu.


Calmamente chegou até a varanda e aconchegou-se em sua cadeira de balanço antiga. Ainda podia ouvir as crianças correndo e disputando o lugar.


Olhando para as montanhas, sentindo a tarde preguiçosa, lembrou de cada dia, de cada sorriso, de seus pais, irmãos, marido, filhos e sobrinhos... Passou por todas as portas do casarão, entrou em cada quarto, despediu-se de cada móvel antigo, pisou em cada degrau da grande escada central, inclusive no terceiro que era solto e não se podia pisar. Separou as garrafas de licor e escondeu as suas receitas. Passeou pela grande cozinha, agora escura e abandonada. Olhou pelas inúmeras vidraças, acendeu novamente as luzes pálidas do pátio interno, aguou as buganvílias e sentiu o cheiro da dama-da-noite invadir a sala de jantar. Viu os lampiões da rua se acenderem um a um, como que orquestrados.


A tarde dava lugar à noite e, neste momento, resolveu deixar para trás o corpo cansado e voar com as cintilâncias do crepúsculo.


Enquanto isto, aqueles que não têm olhos de ver, tentavam em vão remover seu corpo inerte da frente da penteadeira. E na varanda, a cadeira-de-balanço vazia rangia ao sabor do vento...

© Claudinha

.:: Música deste post: “Arpa Flauta” – A Celtic Tale ::.
(A harpa e a água, numa das combinações mais perfeitas que já ouvi)


Gostaria de agradecer ao Marco, à Jeanne e à Adélia Ester pelos selos com que me presentearam. Eles estão expostos logo ali, na minha página de Presentes.
Beijos!

Trilhos

on quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Linha do trem - Imagem via Google


Não sei porque caminho sobre os trilhos
Se ainda sei que tropeço
Se ainda me arranho
Se a neblina dos dias tenta me domar
Se a cor das horas cinzas me cega.


São coisas desta vida tão cigana...


Não sei porque insisto em ver
Os ferros serpenteando minha estrada
Se o trem já passou
Se o dia nasceu
Se a lua sumiu...

Não sei porque me alimento
de estrelas
se nem vejo o céu
e só ouço as canções do vento da tarde...

Apenas sei
Que a minha estrada
Sou eu
Que o meu caminho
É o sol
Que o meu destino
É só meu...

© Claudinha

.:: Música deste post: “Coisas Que Eu Sei ” – Danni Carlos ::.

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