(foto: Google)
O sol escaldante derretia o olhar que perseguia a estrada infinita.
Tanto chão, tantas esquinas, tantas encruzilhadas. O corpo se recusava a seguir em frente, rendido pelo peso dos sentimentos.
(Mas o que fazer quando se tem pernas e braços, sorrisos e lágrimas para prosseguir?)
Os pensamentos liquefaziam-se e escorriam pela minha face enrubescida. Foi quando percebi que me desanimava a distância que teria a percorrer, imaginando todo meu esforço, toda a luta. E seu eu mudasse o referencial? Afinal as aulas de física, deveriam ter sido de alguma utilidade...
Olhei para meus pés e vi que, a cada passo, eu empurrava a estrada para trás e por isto conseguia seguir em frente! Mesmo a estrada mais longa, ou mesmo todo o planeta imenso eram empurrados pela minha força e determinação e assim eu pude seguir em frente. Pude ver os contornos das montanhas, as flores e folhagens desenhando a primavera e, enquanto a tarde partiu, o anoitecer trouxe consigo o frescor e o alívio do gole de água aos viajantes na fonte de cristalina... Toda a estrada me pareceu possível. Todos os meus passos tiveram valor...
Descobri que as leis do universo podem conspirar a meu favor ou contra, tudo depende do referencial que eu escolher. Assim, não penso mais no navio que parte ao longe e sim no porto que se afasta de mim e de minha visão. Antes que meu pão caia com a manteiga para baixo, seguindo rigorosamente a Lei de Murph, eu me utilizo das leis dos arcos-reflexos e, ainda, se sujar as mãos eu posso voltar a ser criança e lamber os dedos. Simples.
Meu Norte agora depende de minha grande capacidade de reinventar a vida...
© Claudinha
.:: Música deste post: “Sueño Com Serpientes” – Mercedes Sosa e Milton Nascimento::.
Olá amigos! Estou de volta e espero colocar minhas leituras em dia! Que bom poder estar com vocês novamente! Beijos!











