domingo, 11 de setembro de 2011

Divagações sobre um balão fujão


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Imagem de Weit



Em meio a tantas bandeiras, uniformes, barulhos e instrumentos musicais, ninguém observou quando aquela mãozinha se ergueu, na última tentativa de reter seu balão em fuga... Aquele balão vermelho (a cor perfeita), em forma de coração, certamente se refletia naquelas retinas inundadas pelas lágrimas da inocência. Eu tentei ajudar, mas estava imobilizada em meio à multidão de bumbos e repiques e não poderia sair da formação, que aguardava a vez. Talvez, todos observassem a exibição, mas aqueles olhinhos me prenderam, pois representavam o mais puro desalento. É como se fosse a perda dos sonhos, as esperanças que eram roubadas de suas mãos e, para alguém tão pequeno como aquela criança, aquilo era um grande problema.

Mantive meu olhar, também desolado, até que alguém tudo mudou.  Abaixou-se e disse: Não chore! Eu lhe compro outro!
Eu respirei aliviada e pude observar que aqueles olhinhos ainda perseguiam o balão fujão, mas sua expressão era outra. Um sorriso cercado de lágrimas que escorriam pela face empoeirada e traçavam um caminho sinuoso. Aquele olhar era agora de recomeço, as esperanças voltariam...

O balão seguiu seu rumo para o infinito azul, até desaparecer em alguma nuvem brincalhona que o tomou para si. 


Este sentimento sempre vem à tona, quando me encontro diante destes balões coloridos, pois sempre haverá um balão procurando outras terras, outras nuvens e outros olhares, levando consigo esperanças e desilusões. Isso porque, a alma dos balões, só entende quem sabe observar suas fugas. Eles existem para fazermos analogias da alma e da vida, eles fogem para percebermos o quão efêmeros são os fatos, os dias e os sentimentos, se não o segurarmos fortemente dentro dos nossos corações...

© Claudinha

.:: Música deste post: “Versos Simples” – Chimarrutz ::.

20 comentários -:

Jota Effe Esse disse...

Os balões são sonhos, e ninguém pode segurar para sempre um sonho em suas mãos, mesmo porque sua razão de ser é voar, para expandir seu colorido pelo infinito. Meu beijo de agradecimento pelo texto, Claudinha.

Ana Carla disse...

Ah... esses balões fujões!!!

Eliana B. Ramos disse...

é...sempre haverá...lindo texto!!
Apesar de que fui ler o "Celeste" e acabei me lembrando de cada coisa...inclusive de que queria uma caloi, mas ganhei uma monark...e detesteiiii...rsrsrsssss, minha experiência com a primeira bicicleta não foi aquelas coisas...rsrs
Uma ótima semana,
bj

Claudinha ੴ disse...

Olá JFS! Obrigada a você pelo carinho de sempre! Um beijo!

Claudinha ੴ disse...

Ana Carla, eles são danados mesmo! Beijo!

Claudinha ੴ disse...

Olá Eliana, além dos meus balões você foi ver a Celeste? Pois ela foi a minha maravilha, meu sonho azul, assim podia brincar (e vencer) com os meninos de bicicross... Rsrsrsrs. Que pena que não deu certo seu pedido, a minha campanha foi eficiente, eu colava "eu quero minha Caloi" em todos os lugares por onde meu pai passaria... Bjs.

Dilberto L. Rosa disse...

Para além de tua sempre excelente crônica poética (e nesta, com uma especial decupagem quase cinematográfica!), amei particularmente o final: sempre achei que os "balões em fuga" estão a vagar para que sejam observados por aqueles "que sabem observar suas fugas"... Eu sempre os observei até onde minhas retinas pudessem acompanhar - e sempre me perguntava o que deles era feito, sem ninguém jamais saber me dizer ao certo... Um super-cheiro, minha querida!

O Árabe disse...

Verdade, Claudinha! Se não podemos recuperar os balões que se vão... outros sempre haverão de chegar. :) Boa semana!

Claudinha ੴ disse...

Dil, você me entende porque também tem olhos de ver, você também sabe olhar a poesia de um momento... Podemos investigar o destino final dos balões, vou pensar nisso... Rsrsrs. Um cheiro e um bêjo procê e suas meninas!

Claudinha ੴ disse...

Olá Árabe!

Sempre haverá um balão perdido, mas cada um é insubstituível... Um beijo!

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Este seu post é quase uma fábula. Pensação das boas. Obrigado pelo transmimento, Claudinha. Um beijo.

Duarte disse...

O meu primeiro balão subiu, subiu, até que se perdeu. No último subimos pouco, estava certa ventania que nos obrigou a descer, mas gostei e não pude voltar a repetir: mas quero.
Bom, estes eram outros balões, aqueles que mais me agradam. Os outros assustavam-me, não demoravam nada em rebentar.

Um grande abraço, à grande contadora de historias tão lindas

Claudinha ੴ disse...

Obrigada você Marcelo! Um beijo!

Claudinha ੴ disse...

Obrigada Duarte, todos temos lembranças dos balões... Um beijo!

。♥ Smareis ♥。 disse...

Gostei muito de ler um pouco teu blog... seu texto é maravilhoso, e de muito bom gosto.
Estou te seguindo, e convido a conhecer meu blog e seguir-me se gostares .
Um grande abraço!
Smareis

Claudinha ੴ disse...

Obrigada Smareis, vou sim! Bj

Nilson Barcelli disse...

Todos nós temos balões que de vez em quando nos fogem... mas não há que desanimar, pois a vida é assim mesmo.
Claudinha, gostei imenso do teu texto. Pelo simbolismo e pela mensagem positiva que ele contém.
Tem um bom fim de semana, querida amiga.
Beijos.

Claudinha ੴ disse...

Obrigada Nilson!
Você captou a mensagem, é sensível,claro... Um beijo e muito obrigada!

Benno disse...

os balões enchidos com ar frio ou gás são tã bonitos, mas os de ar quente, aqueles de São João, podem ter um incêndio como destino. Aqueles, alimentam sonhos, estes últimos podem até destruir alguns deles.
Beijos

Claudinha ੴ disse...

É Benno, eles podem destruir... Prefiro os outros. Um beijo!

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