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| Fotografia de Laura Photographs via We♥it |
A chuva fria amaina o calor
da tarde, que logo dá lugar ao veludo da noite e assim começa a magia.
Luzes e enfeites de Natal
brilham por todos os cantos. Assusta-me o fato de não terem mais o foco e as
cores vivas de antes. Não sei se são meus olhos presbíopes, não sei se é a
infância tentando me abandonar. Por que insisto em ver as cores desbotadas e os
contornos borrados?
Não sinto mais medo de Papai
Noel e ninguém precisa se levantar para ir comigo até a sala. Não escrevo mais
cartinhas e nem coloco meu boletim junto para que ele veja que fui uma boa
menina durante o ano. Não... O tempo cruel levou consigo minhas brincadeiras de
roda e de rua. Não vou mais a Igrejas antigas ver presépios centenários, tudo
ficou tão distante...
Só então percebo que, hoje, o
Natal existe em mim, em minhas lembranças, família e em cada sorriso que
conquistei. Só agora descubro que preciso sempre buscar em mim aquela menina de
cabelos longos e cachos despenteados, falante e intrometida... Inquieta,
curiosa, brincalhona e perfeccionista... Somente assim terei novamente o foco e as cores,
poderei olhar para trás e saber que a felicidade semeada no passado, hoje aflora em minha
vida...
Desejo que todos os meus amigos
possam reencontrar aqueles meninos e meninas perdidos dentro de si, para
celebrarmos, em uma grande corrente, o Natal de Jesus!
A todos um Feliz e Santo
Natal!
Obrigada por estarem comigo mais este ano e por serem sempre tão generosos!
Beijos!
© Claudinha
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Música deste post: “O Natal Existe” (Edson Borges) – coral infantil::.

Olá xará. Também sinto falta das cores vibrantes do natal, das emoções de criança, da empolgação de ganhar um presente. Mesmo assim desejo tudo isso a você. Seja criança nesse natal e viva a magia de ser feliz.
ResponderExcluirBeijos doces.
Feliz Natal, minha cara menina de sempre: não vejo como te perdeste pelo caminho assim como narras melancolicamente no texto, acho que tudo foi só exercício de estilo! Manténs a mesma garotinha te ensinando a escrever, todo santo dia! Um abração, saúde e felicidades junto à sua família!
ResponderExcluirOlá Cláudia!
ResponderExcluirÉ bom trazer conosco a criança que fomos! Um beijo!
Meu caro e Dilberto amigo...rsrsr
ResponderExcluireu às vezes acho que me perco desta menininha, mas logo ela me traz a felicidade novamente! Um beijo grande, boas festas para você e suas meninas! Beijos!
O Natal, amado ou odiado, sempre será um elo nostálgico na nossa lembrança infantil.
ResponderExcluirAh, o homenageado no Luz não foi Rubem Braga, ele apenas fez a ponte para apresentar o homenageado.
Boa semana! Beijus,
Muchas Gracias Claudinha por tus palabras. Que tengas una Feliz Navidad y un Próspero Año 2012.
ResponderExcluirObrigado digo eu, Claudinha, por tudo que nos passa com teus escritos. Que o Natal te mantenha assim, vibrante como a menina de outrora e o Ano Novo confirme. Um beijão.
ResponderExcluirLuma, você homenageou dois grandes nomes, DOS QUAIS eu quis mostrar minha preferência por Rubem Braga. Se ele foi a ponte, bem, foi uma ponte e tanto! Beijo.
ResponderExcluirObrigada David! O mesmo para você e todos os seus!
ResponderExcluirUm grande beijo JFS! Obrigada pelo carinho!
ResponderExcluirOi, Claudinha!! Voltei para lhe desejar um feliz natal!! Que este chegue em seu lar trazendo muita paz e harmonia!! Beijus,
ResponderExcluirObrigada Luma, o mesmo para você e os seus! Bj
ResponderExcluirDizem que as lembranças da infância voltam cheias de vida com o avançar da idade. Temos o mesmo (pequeno) número de primaveras, e espero ter direito a essa compensação se conseguir viver muito. Pra ter de volta aqueles natais sem borrões nem desbotados. Que texto maravilhoso. De parabéns, amiga mineira. Um Natal sem igual pra você e todos os seus.
ResponderExcluirGostosamente
ResponderExcluiragradeço os seus amáveis votos!
Bem Haja!
Obrigada Marcelo! Suas palavras iluminam as minhas! Um feliz Natal para você e sua família também! Beijos!
ResponderExcluirObrigada Vieira Calado! Bem haja!
ResponderExcluirClaudinha,
ResponderExcluirFeliz Natal! Que 2012 se repleto de muita paz, prosperidade, amor, saúde, conquistas...
Beijinhos
Obrigada Cecília!Tudo de bom para você e os seus , Feliz Natal!
ResponderExcluirUm Natal iluminado, cheio de paz e felicidade para vc. Beijos
ResponderExcluirFizeste reviver em mim tempos idos...
ResponderExcluirDeixo-te um fragmento do meu livro "Recordar é viver"
"Do Natal da minha infância ficaram gravadas certas vivências que, por tão simples e tão ricas em valores familiares, amealhei, tornando¬se inolvidáveis. Noites escuras e frias, forte ventania (parecia que afeitava sem sabão, se queixava o meu avô), uma chuva impertinente que molhava até aos ossos. Para compensar, passar um bom bocado em frente da lareira; ardia bem a madeira, elevando as línguas de fogo que lambiam a frialdade da noite. Apetecia aquecer o corpo, tão castigado pelo vento que atiçou desde o noroeste sem piedade, como diziam os pescadores de Angeiras, as nortadas. Outras vezes, quando passava mais tempo do devido nas minhas brincadeiras, entrava em casa gerido de frio buscando o calor do lar. Ao aproximar¬me via como o fumo se esgueirava pelas telhas, significava que o meu avô já tinha escolhido o melhor sitio ao pé da lareira, o prémio justo pelos muitos anos vividos com dureza, como agricultor e como lenhador. Dentro da casa, esse cheiro agradável a lenha e a resina ardendo. Fora, na escuridão, apenas se divisavam as sombras dos pinheiros e dos eucaliptos na bouça mais próxima. O vento mantinha o seu dialogo com a noite, de sussurros, mugidos e prantos, que tanto me impressionavam. Entretanto o corpo começa a aquecer, a chuva seguia caindo e o vento não deixava de esticar¬se arranhando os muros, desgranando as árvores e sacudindo os fios da água das telhas. Tudo isto observado através dos vidros aos quadradinhos da porta da cozinha, com o calor da lareira, e sentindo o repicar das gotas da chuva na chapa do alpendre. Fez¬se inolvidável, inesquecível, um dos prazeres que me proporcionou a natureza naquele Natal. Por fim, a minha mãe e a minha avó fizeram¬se com as panelas de três patas, negras por fora e saborosas por dentro. Quando chegou o meu pai, sempre o mais atrasado, a ceia não demorou em marcar a sua presença, era a ceia da véspera do Natal, a consoada. Batatas com bacalhau e pencas, tudo condimentado com estrugido, marcado pelo sabor peculiar dos cominhos. Depois vinham as rabanadas, a aletria e um pouquinho de vinho do Porto; entre¬tanto o meu avô e o meu pai bebiam vinho quente com ovo, estaria bom? Tivemos que deitar¬nos cedo, pois o Pai Natal estava rondando e não nos queria ver pelo meio. Chegou o dia de Natal, levantei¬me inquieto, mas esperançado, tinha deixado os meus socos debaixo do pinheiro e tinha¬me portado bem. Aquela manhã caminhei ansioso para o pinheiro, mas decidido, para ver o que me tinha deixado. Com as pressas o Pai Natal atirou ao chão alguns adornos, menos os chocolatinhos que a minha mãe tinha pendurado cuidadosamente das ramas do pinheiro, e que comíamos quando o desmontávamos. Todos estávamos muito contentes, mas a minha irmã e eu estávamos radiantes de felicidade; até tínhamos um conto da menina do capuchinho verme¬lho em pano, que bonito! Era dia de Natal, mas, tanto para a Maria como para mim, o mais importante tinha passado, o real¬mente mágico tinha enchido as nossas vidas de ilusão. De novo a família toda reunida ao redor da mesa adornada para tal fim, donde não faltava de nada, nem as lambarices que tanto gostava, sempre tão bem elaboradas pelas mãos mestras da minha mãe. Assim como o bolo rei, que com o bacalhau e o peru, ou o capão, são imprescindíveis na mesa dos portugueses no Natal.
Ao passar de QuarK a Word criam-se algumas irregularidade que espero possas solevantar. Obrigado e desculpa.
Um grande abraço e a continuação de Boas Festas.
Obrigada Benno! O mesmo para você e sua família! Beijos!
ResponderExcluirOlá Duarte!
ResponderExcluirQue belíssimo texto! E hoje, tive um pouco do Natal europeu da casa dos meus avós. Rabanadas, bacalhau com batatas e docinhos que minha mãe fez para lembrar de sua mãe. Seu texto foi como a descrição daquelas festas, daqueles anos inocentes! Muito obrigada! Um beijo!
Olá!
ResponderExcluirCheguei aqui através do Nilson, visitaste-me para ler a minha análise do poema "A um Deus claro e incerto". Agradeço a tua visita, o Nilson tem poemas "deliciosos" e propus-me a analisar um à sua escolha e assim foi... Como disse ao Nilson, passo a vida a analisar poemas de poetas idos (eles não virão nunca reclamar!). Analisar um poema do Nilson foi um grande desafio, pois ele poderia não gostar e, por isso, reclamar... Tal não aconteceu!
Gostei deste teu cantinho e do que li, terei, no entanto, de vir com mais tempo.
Desejo-te um grande 2012!
Bj
Mena
Seja bem vinda Mena! Nilson é mesmo grande Poeta. Já eu, escrevo sem pretensões. Volto lá sim, obrigada! Beijos!
ResponderExcluirFeliz 2012, Claudinha: para você e sua menininha levada que te carrega ano após ano...
ResponderExcluirP.S.: leste a crônica "Reminiscências de Robocop"? Era para avisar-te dela, mas acabei esquecendo: havia a bela trilha de Basil Poleudoris, para ouvires bem alto nas caixas do teu filho!
Oi Dileto amigo!
ResponderExcluirObrigada, um excelente 2012 para você e suas meninas! Eu vou lá ler sobre o Robocop! Um beijo!