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imagem: We♥it
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Era uma daquelas tardes
quentes que antecedem o verão chuvoso.
Andava pela casa que,
preguiçosa, exibia silêncios e sombras longilíneas. Tudo dormia. Até mesmo as
cortinas que se recusavam a dançar com o vento. O som, o único, vinha do antigo
relógio, pulsando no lugar das batidas de seu coração e bombeando o resto de sangue que circulava em suas veias... Em todos os cantos, a vida se extinguira.
Fizera um acordo com o tempo, que escorria viscoso e lento. Uma sincronia
bizarra e necessária de inércia, universos em integração.
Jamais havia se sentido tão
só. Não queria, naquela hora, desembrulhar as lembranças dos panos de guardar
saudades. Era como se o nada fosse tudo e como se estivesse em suspensão no
pêndulo das horas... Foi quando, então, debruçou-se na janela e, num suspiro,
inflou sua alma com ar renovado e esperou pela noite, que lhe chegou mansa e
fresca, trazendo consigo luzes e perfumes. Ao longe, o som da ave-maria
completava o momento de transição. A noite preparava um novo dia.
Lentamente, a vida retornava
para dentro de si...
© Claudinha
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Música deste post: “Sutilmente” (Samuel Rosa / Nando Reis) – com Skank ::.

Às vezes precisamos de um hiato para retomar a vida dentro de nós. É uma espécie de concentração, um tomar balanço, para enfrentarmos novos desafios ou, pelo menos, enfrentar os desafios que temos de outra maneira.
ResponderExcluirMinha querida amiga, disseste-o de uma forma brilhante. A tua narrativa é excelente.
Tem um bom domingo e uma boa semana.
Beijo.
Obrigada Nilson! Nossas vidas são cheias de transições... Um beijo e uma ótima semana!
ExcluirComo não há novo post, desejo-te "apenas" um bom fim de semana.
ExcluirUm beijo, querida amiga.
Me ha pasado sentir esas sensaciones. Pero luego volvemos otra vez y con fuerza a luchar en la vida que nos ha tocado vivir.
ResponderExcluirA vida é "una lucha de gigantes"! Escrevi certo? Um beijo!
ExcluirGostei muito da menina na janela e do texto gerado por você, Claudinha. Lembrei do Augusto Calheiros cantando: "Cai a tarde tristonha e serena/Em macio e suave langor... Meu beijo.
ResponderExcluirObrigada JFS! E eu confesso, embora envergonhada, que não sabia quem era Augusto Calheiros. Corri pro Youtube e descobri! É bem nostálgico, como o post mesmo. Eu sempre vi as tardes quentes, escorregadias e preguiçosas como Gabo em suas descrições, apenas não sei descrever como ele, rsrs. Um beijo!
ExcluirQuem já não viveu um momento assim, de silenciosa e introspectiva transição. Melhor ainda num casarão mineiro, como deve ter sido o seu caso. De parabéns por mais esta prosa poética de alto quilate, Claudinha. Um beijo.
ResponderExcluirOlá Marcelo!
ExcluirEmbora o texto seja ficção, eu vivi, todos vivemos, muitas tardes quentes nas janelas de um casarão antigo e adorável, de um apartamento novo e detestável (jamais me desliguei de minhas raízes barrocas). Não imaginei a menina, mas todos a imaginaram, que seja, ela está tatuada em mim... Um beijo e obrigada pela generosidade!
Tardes preguiçosamente quentes... Como sei disso, nesta minha infância de Nordeste... Mas, engraçado: acho que hoje em dia é que rezo para que a noite me traga a transição de um novo dia melhor - quando menino, minhas tardes eram sempre ótimas, cheias de tarefas de escola e de desenhos maravilhosos na TV... Meu abraço, amiga!
ResponderExcluirMeu querido Dil, meu texto é ficção. Nem imaginei a menina desta vez, porque ela sou eu.Talvez a imagem tenha levado os leitores a pensar nela, ou talvez ela seja tão forte em mim que se materializou aqui. O fato é que também tive uma infância de sonhos e alegrias e , como você, hoje é que as coisas não são tão coloridas sempre... Um beijo e obrigada pelo carinho!
Excluirassim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog O àrabe. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs
ResponderExcluirNarroterapia:
Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.
Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.
Abraços
http://narroterapia.blogspot.com/
Vou conhecer seu blog sim Fabrício, obrigada! Não creio que seja heresia divulgar seu trabalho, a blogosfera agradece por apresentar coisas boas para se ler. E leu meu texto? Então o que achou? A opinião também é importante! Um beijo!
ExcluirClaudinha, lembrei da minha menina que ainda mora dentro de mim.
ResponderExcluirMinha vida é cheia de transição.
Beijos e ótima semana.
Jamais devemos nos esquecer da criança que trazemos dentro de nós, é segredo de bem viver! Um beijo!
ExcluirBonita imagem que me fez retroceder no tempo, mas que me fez feliz.
ResponderExcluirBrinquei com os meus filhos, agora faço-o com os meus netos. Pretendo ser a criança que sempre fui: exercer de adulto chateia...
Gostei desta leitura que possui essa qualidade na narrativa que sempre detectei em ti, e que muito me agrada. Parabéns.
Um grande abraço e a minha amizade
Obrigada Duarte! Precisamos sempre ter a criança dentro de nós! Um beijo!
ExcluirÉ assim mesmo. A gente culpa a solidão, as circunstâncias, o clima, o mundo, mas no fundo somos os únicos responsáveis pelo que sentimos. Beijos
ResponderExcluirE por isso mesmo, Benno, os responsáveis por mergulhar de cabeça nas transições... Viver é custoso... Um beijo!
ExcluirFia, que legal voltarmos a ser crianças! A Infância é tudo e mais além, né não?
ResponderExcluirTá mil seu texto, como sempre...
O Sibarita
Obrigada Sibarita! Saudades de você, to indo lá matar! Beijos!
ExcluirSe o deixamos de ser... MAU!!!
ResponderExcluirQue sejas muito feliz... SEMPRE!
Um chi-coração
Obrigada amigo, seja feliz também!
ExcluirMas o que é um chi-coração?
Um beijo!
As horas do dia, as fases da vida... Uma mistura que a nossa menina das letras faz muito bem... Bjs
ResponderExcluirObrigada amiga, somos e seremos meninas... Um beijo!
ExcluirQuerida amiga, é uma palavra da nossa língua, a portuguesa, com sentido de afecto, e que no dicionário diz assim:
ResponderExcluirchi-coração
s. m.
[Portugal, Informal] Abraço amistoso e muito apertado.
Um chi-coração, meu
Ah, Duarte, obrigada por esclarecer. Aqui não usamos esta expressão e eu gostei muito dela. Um chi-coração para você!
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